Aquenda! ocupa o CELGBT para ampliação das discussões sexodiversas

25 mar
CELGBT

A mulher transexual e psicóloga, Ariane Sena, ocupa cargo de vice-presidência o CELGBT.

O Coletivo Aquenda! fará parte do Conselho LGBT da Bahia na gestão 2017/2019 com objetivo de ampliar o leque nas discussões e ações sobre sexualidades e gêneros. Nosso desafio é pautar uma política de direitos humanos dentro de uma perspectiva Queer para uma transformação social real e concreta.

“É preciso estar atentx e forte. Não temos tempo de temer a morte”

Carta de Apoio a Manutenção da Integridade do Mandato do Deputado Jean Wyllys

14 dez

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O Coletivo Aquenda! de Diversidade Sexual, junto a Direção do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (CAHL/UFRB), em Cachoeira – BA, manifesta sua indignação relacionada ao relatório do Dep. Ricardo Izar, na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados pedindo a suspensão do mandato do Dep. Jean Wyllys, devido à suposta quebra do decoro parlamentar.

Manifestamos nosso apoio público ao Dep. Jean Wyllys eleito para a 55ª Legislatura com 144.770 votos, um jornalista, escritos, professor e defensor dos direitos humanos, em especial da causa LGBT, de gênero e raça. Trata-se de um parlamentar íntegro, honesto, corajoso, um intelectual e político livre de qualquer suspeita, que cotidianamente é vítima do preconceito e homofobia por ser o único deputado assumidamente gay no Congresso Nacional. Tem conduzido a sua vida política de forma qualificada, idônea, com lisura invejável, lutando pela garantia dos direitos humanos, com a produção de relevantes projetos para o povo brasileiro.

Outrossim, o mandato do Dep. Jean Wyllys tem sido um dos poucos que tem credibilizado a política brasileira internacionalmente. Prova disso é sua reeleição como uma das 50 personalidades da diversidade no mundo pela Global Diversity List da The Daily Telegraph e os diversos convites para palestras em universidades renomadas como a Universidade de Havard e Universidade de Brown.

Diante do apoio público manifestado por mais de 160 instituições de defesa dos direitos humanos no mundo, pela notória colaboração na política brasileira e levando em consideração todas os motivos aqui listados, pelos depoimentos do próprio deputados e das testemunhas durante os trâmites do processo na Comissão de Ética, endossamos o apoio público ao parlamentar e defendemos a integridade de seu mandato. Clamamos a Comissão de Ética para que não sejam tomadas decisões por questões morais, dominadas por ideologias partidárias conservadoras.

 

Coletivo Aquenda! De Diversidade Sexual

Jorge Luís Cardoso Filho – Diretor do CAHL/UFRB

A LGBTfobia matou 50 pessoas hoje

12 jun

Homofobia 02

Por Udinaldo Júnior.

Quando repito diariamente que LGBTfobia mata não é uma metáfora ou uma alegoria ou vitimismo de classe. Ela hoje assassinou 50 pessoas em Orlando – EUA. Fez outros feridos, portanto esse número pode aumentar. Pode aumentar inclusive porquê o governo proíbe a doação de sangue de homens gays e bissexuais. Homens que estão sofrendo com amigos e parceiros morrendo no hospital enquanto o Estado os proíbe de ajudar.

E preparem-se para a enxurrada de lgbtfobia que nós veremos hoje. Preparem-se. Os lgbtfóbicos mais calminhos estarão dizendo que o ataque não foi um crime de ódio, que nós estamos sendo radicais, que nem tudo é homofobia, que é um caso isolado. Talvez ficarão calados e acreditarão piamente que não é com eles, que essas mortes não lhes atingem.
Aqueles que mostram sua violência de maneira mais aberta (e que facilmente pegariam uma arma e atirariam em mim ou em você, na Amsterdam, OffSina, BlueSpace, San Sebastian, Âncora do Marujo ou num beco escuro) estarão nas redes sociais destilando seu ódio como nos comentários abaixo.


Preparem-se. Lembrem-se que nossos cadáveres sempre são os primeiros quando o cerco aperta. Que nossas vidas são precárias, nossa existência é descartável. Se fortaleçam uns nos outros, amigos. Criem redes de solidariedade, não abram mão de ajudar qualquer LGBT que precise de você. Lute pelo bem de todxs. Nós estamos juntxs!

Homofobia 03   Homofobia

 

Teatro e bate-papo com o Aquenda!

20 jan

Hoje o Coletivo Aquenda! vai estar presente nas peças teatrais “Trespassado” e “Abismo” para bater um papo bem queer logo após os espetáculos.

Venha você também!

PEÇA

Nota

Coletivo Aquenda! na luta pela despatologização TRANS

22 out

O Coletivo Aquenda! de Diversidade Sexual lança uma campanha virtual pela despatologização TRANS. Outubro é o mês de luta, mas não se esqueçam a nossa luta é todo dia! A rede internacional pela despatologização TRANS lançou um manifesto trazendo a problemática da patologização e a luta pelo direito sobre seus corpos:

“Denunciamos publicamente, mais uma vez, a psiquiatrização de nossas identidades e as graves consequências do chamado “transtorno de identidade de gênero” (TIG). Do mesmo modo, queremos tornar visível a violência que se exerce sobre as pessoas intersexuais mediante os procedimentos médicos vigentes.”

Veja o manifesto completo Aqui

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Intervenção pela legalização do aborto, contra a criminalização do corpo feminino com a Marcha Mundial das Mulheres

29 set

No último dia 28 (ontem) estivemos com a representante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) Beatriz Vieira, produzindo uma intervenção no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da UFRB. A intervenção foi pela legalização do aborto e discriminalização do corpo feminino. A pauta nos interessa por entendermos que a legalização do aborto não atinge ou aflige apenas a ‘mulheres cromossômicas’, na estrutura de gênero em que o feminino é habitado por corpos em trânsito, a legalização do aborto afeta à todxs.

Para além do sexo-reprodução radicalmente biológico, perguntamos: e quando homens trans que mantêm o útero lutarem pelo direito de abortar? A mulher ciborgue? Visualizamos essa realidade dissidente para operar pela política da diferença, onde o ato sobre o corpo não esbarre em uma política identitária fixa, rígida.

Marcha Mundial das Mulheres faz intervenção em Cachoeira pelo direito ao aborto.

Parada da Diversidade Sexual em Cachoeira

26 set

ImageEntregamos zines na última Parada de Diversidade Sexual de Cachoeira que aconteceu no dia 16 de setembro. Os zines são veículos de comunicação de baixo custo na produção e comumente usados pela impressa alternativa. Entregamos 110 antes do trio eletrifico alcançar meio percurso. Numa entrega desse tipo e com pouco exemplares para o tamanho do evento focamos especialmente nas famílias e grupos. Não foi tão complicado. As pessoas queriam saber se teriam que pagar e do que tratava. A reação mais esquisita foi no momento que foi entregue a uma menina um documento no lugar do zine. A menina respondeu: ta errado moça! Eu quero aquele que tem meu cu!
O nosso zine foi com o seguinte texto:

O Coletivo Aquenda! de Diversidade Sexual surgiu em outubro de 2010 com o propósito de problematizar a homofobia na UFRB e em outros espaços das cidades de Cachoeira e São Félix. Buscamos igualdade de direitos civis e humanos para a comunidade LGBTTT da região do Recôncavo Baiano. Além disso nosso objetivo é aproximar os estudos de teoria de gênero e sexualidade da realidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, e transexuais da região. Dessa forma propomos um espaço de discussão e interação entre estudantes, sociedade e comunidade em geral.

 

“O Brasil é o país que mais mata homossexuais do mundo, ato que demonstra que nossa sociedade ainda é intolerante quando o assunto diz respeito à diversidade sexual. Portanto, o enfrentamento ao preconceito de gênero é muito importante para que nossa comunidade seja mais justa e fraterna. Queremos um mundo onde a expressão do amor entre pessoas do mesmo sexo seja equivalente ao do sexo oposto. Podemos viver num mundo sem homofobia? Acreditamos que sim! Venha nos conhecer, ajude a construir um mundo sem preconceitos, opressão desigualdade e violência. Aquendaaaaaa! Ouvir piadinha dos outros, sapatão, viadinho, bicha, bolacha.  Essas são forma de preconceito mais visíveis na nossa sociedade. Você já sofreu HOMOFOBIA, LESBOFOBIA, TRANSFOBIA? Venha compartilhar conosco sua experiência, estamos aqui para ouvir e falar sobre o assunto”

BEATRIZ PRECIADO E A SUBVERSÃO DAS MULTIDÕES QUEER

24 jun

Por Julio César Sanches*

O texto Multidões queer, da filósofa pós-feminista Beatriz Preciado, inscreve a possibilidade de uma prática política dos desajustados sociais, dos anormais. Partindo do conceito base de biopolítica, formulado por Michel Foucault, Preciado constrói um manifesto em prol da união de corpos disformes, amputados, de monstros sociais em busca de uma revolução na vida social cotidiana. Comumente falamos de minorias sexuais, raciais e econômicas, mas essas minorias são só em termo, há uma multidão em busca de demandas que estão para além do desejo de igualdade social. Há sim um desejo latente de revolução em relação às existências corporais, existências fadadas ao poder das instituições reguladoras da vida social.

Foucault nos ensina em seu célebre texto Vigiar e Punir que em todas as sociedades o corpo está preso em normas muito rígidas, em modelo de representação que conformam a existência do corpo e a viabilidade da existência no campo social. O ensinamento foucaultiano demonstra que as sociedades disciplinam os corpos a fim de governarem a vida. Hospitais, ciência, tecnologia, escolas, prisões e etc. esses espaços conformam o poder do Estado sobre o modus vivendi das sociedades. Dessa forma, a vigilância social estabeleceu os padrões de vida e existência, viabilidades que emergem do poder e exercem a permanência do próprio poder constituidor.

Ao falar da governabilidade do corpo, Foucault identifica um regime de sexualidade que orienta os corpos em níveis de normalidade e anormalidade. Orientações que constitui aquilo que Monique Witting chamou de regime político da heterossexualidade, como demonstrou Preciado. O corpo e a sexualidade são tecnologias do ser, tecnologia instituída por meio do poder. Lembro também da Judith Butler, aquela que fala da materialidade corporal enquanto existência de gênero. Corpo que adentra a cultura no seio de uma carga simbólica através dos atos de gênero: a fala, o corpo e as performances de gênero. Mas voltando a Preciado, devemos considerar a existência do poder como meio, como instrumento na qual os corpos são produzidos. Nesse ponto, multidões queer é devedor de uma abordagem feita por Butler, mas que não é citado de forma expressa.

Mutidões queer nos permite falar de uma potencialidade política de corpos que são marcados pelo poder. É um ato/fala de corpos considerados anormais, desajustados, desprendidos do modelo hegemônico de sexualidade, de classe social, de raça. Os regimes de poder científico e tecnológico, a moral e a ética desenvolvida pelas sociedades disciplinares possibilitaram a consolidação do abjeto. Criaram o território da anormalidade como esfera que deve ser aniquilada da sociedade, mas também produziram uma esfera de conhecimento capaz de subverter a lógica imposta pelo poder disciplinar.

Preciado é muito feliz ao construir uma discussão que toca o desenvolvimento do capitalismo e das normas impostas aos corpos. Vigilância que baliza a consolidação de uma economia sexual-política que possibilitou a emergência de valores sociais em relação aos papéis sexuais. O texto deixa claro que a construção do corpo também constitui o espaço de ação social estruturada pela ideia de governabilidade das instituições. A base inicial do texto termina por revelar que as formulações de Foucault não conseguem dar conta do processo de medicalização e normalização dos corpos e sexualidades no século XX.

“O Império dos Normais, desde os anos 1950, depende da produção e da circulação em grande velocidade do fluxo de silicone, fluxo de hormônio, fluxo textual, fluxo das representações, fluxo de técnicas cirúrgicas, definitivamente, fluxo dos gêneros. Com certeza, nem tudo circula de maneira constante e, sobretudo, os corpos não retiram os mesmos benefícios dessa circulação: é nessa circulação diferencial de fluxos de sexualização que se desempenha a normalização contemporânea do corpo” (PRECIADO, 2011, p13).

A conceituação das práticas, dos saberes de sexualidade consolidou um território de produção de uma sexopolítica, nas palavras de Preciado. Ou seja, o capitalismo contemporâneo desenvolveu um território de produção de subjetividades atreladas ao gênero. É uma atualização da biopolítica foucaultiana, agora com o perfil explícito de uma política sexual, mas que não há uma troca entre política e sexualidade, ambas coexistem enquanto sistema de normas reguladoras.

“O corpo não é um dado passivo sobre o qual age o biopoder, mas antes a potência mesma que torna possível a incorporação prostética dos gêneros. A sexopolítica tornase não somente um lugar de poder, mas, sobretudo, o espaço de uma criação na qual se sucedem e se justapõem os movimentos feministas, homossexuais, transexuais, intersexuais, transgêneros, chicanas, pós-coloniais… As minorias sexuais tornam-se multidões. O monstro sexual que tem por nome multidão torna-se queer” (PRECIADO, 2011, p14).

A reivindicação de Preciado diz respeito à subversão do modelo de gênero instituído pela biopolítica dos séculos anteriores. O desafio é utilizar os estatutos biotecnológicos, medicamentosos e culturais para questionar a hegemonia da heterossexualidade e a própria naturalização existente no campo sexual. Assim, a ação política dos anormais tomaria o espaço público em busca de visibilidade diante do imperativo heterossexual. Questionaria a legitimidade heterossexual.

Preciado solicita uma leitura de Foucault adequada ao momento da qual vivemos. Para ela, os corpos já não são tão dóceis, como nos séculos anteriores. A multidão queer será feita por aqueles corpos cujas materialidades desterritorizam o espaço legitimado da heterossexualidade. Dessa forma, a “desidentificação surge das “sapatas” que não são mulheres, das bichas que não são homens, das trans que não são homens nem mulheres. […]As identificações negativas como “sapatas” ou “bichas” são transformadas em possíveis lugares de produção de identidades resistentes à normalização, atentas ao poder totalizante dos apelos à “universalização”.” (PRECIADO, 2011, p.15).

As multidões queer estão em busca do primado das diferentes formas de expressão sexual, desenvolvem uma política de ação social em relação aos desejos, práticas e gozos ditos ilegítimos, bizarros ou anormais. Mais uma vez, é importante expor que a multidão queer compreende a identidade como espaço estratégico de poder. Por isso, a multidão queer busca reapropriar as articulações de opressão de gênero baseadas em binômios: “normais” e “anormais”. Nossa tarefa é compreender que:

“[…] a política da multidão queer não repousa sobre uma identidade natural (homem/mulher) nem sobre uma definição pelas práticas (heterossexual/homossexual), mas sobre uma multiplicidade de corpos que se levantam contra os regimes que os constroem como “normais” ou “anormais”: são os drag kings, as gouines garous, as mulheres de barba, os transbichas sem paus, os deficientes ciborgues… O que está em jogo é como resistir ou como desviar das formas de subjetivação sexopolíticas” (PRECIADO, 2011, p16)

 *Jornalista, Integrante do Coletivo Aqüenda! de Diversidade Sexual

VALESCA POPOZUDA E O CORPO DA MULHER

24 jun

Por Julio César Sanches*

“Se o corpo é da mulher, ela dá pra quem quiser”. Essa é uma das principais bandeiras levantadas na Marcha das Vadias. Desde 2011, grupos de feministas, lésbicas e mulheres de diferentes culturas, etnias e localidades se reúnem em prol de uma justa causa: …o poder de governar os seus próprios corpos. Mas, recentemente uma polêmica foi acionada na mídia, nas redes sociais e nos fóruns de discussão, a música “Mama” da funkeira Valesca Popozuda. Com frases que indicam um teor altamente erótico, a música diz: “Minha xota quer gozar, quero dar, quero te dar”, “Mama, pega no meu grelo e mama”. A letra da música causou, e ainda está causando, muita discussão sobre o discurso erótico/pornográfico feito por Valesca. E, além disso, enrijeceu ainda mais a discussão sobre o comportamento feminino e a sexualização do corpo da mulher nos produtos culturais.

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As discussões que presenciei não davam conta de questões muito importantes para pensarmos o corpo da mulher, o comportamento sexual na cultura brasileira, e os diferentes discursos de controle que existem em nossa cultura. Ao lembrar das marchas das vadias, que acontecem em vários países, fiquei pensando como é possível falar do corpo da mulher se ainda vigora em nossa cultura uma visão patriarcal e machista? Até que ponto a mulher é dona de seu corpo? Acredito que as visões de mundo pregadas pelo conservadorismo católico, pela moral cristã e pelos bons costumes sociais jamais conseguiriam aceitar uma mulher que exorta sua sexualidade perante os outros.

No Brasil, um homem que acompanha duas ou mais mulheres é visto como garanhão, pegador, macho suficiente para subjulgar o seu prazer ao corpo feminino; na contramão desse cenário, uma mulher com vários homens é declarada puta, piranha, vagabunda, vadia! Isso mesmo, a cultura brasileira não aceita a publicização de uma sexualidade feminina libertária, não consegue vislumbrar uma libertação do corpo da mulher desvinculado dos ideais maternos e familiares. Eis um ponto importante da discussão: o corpo feminino é institucionalizado, ou seja, é um corpo preso a práticas sociais que vigoram há muitos séculos (machismo e patriarcado).

Na segunda década do século XXI uma mulher pede para receber sexo oral do parceiro, ou nas palavras da Popozuda: “mama no meu grelo, mama!”, e isso é visto pela sociedade como a diluição dos valores éticos e morais da humanidade. Entretanto, quando as feministas, as lésbicas e as diferentes feminilidades existentes falam do corpo da mulher, estamos falando de uma proposta de transformação social, de uma política corporal que respeite as diferentes sexualidades. Dessa forma, devemos compreender que “Mama” é o retrato de uma libertação sexual que vem sendo delineada desde a década de 1960.

Valesca Popozuda é um exemplo de transformação ideológica, onde o corpo da mulher reivindica o prazer e o espaço público de ação política. O corpo da mulher, assim como das travestis, das bichas afetadas e as diferentes feminilidades está traçando uma nova cartografia dos prazeres e dos discursos sexuais. Valesca tem um lugar de fala, um espaço de ação e agenciamento que difere dos homens que cantam o funk. Assim sendo, é uma mulher que levanta a bandeira de ser “vadia”, “puta” e “cachorrona”… Porém, devemos pontuar que esse produto cultural não deve ser analisado como ferramenta de alienação, mas sim de poder. Poder de falar sobre os seus próprios corpos.

Sei que muitas mulheres percebem uma violência simbólica em relação às músicas que falam de uma erotização do corpo da mulher. Também compactuo de tais sentimentos, mas não consigo identificá-los em “Mama” por perceber uma brecha para discutirmos até que ponto nossos corpos estão libertos dos preceitos da cultura judaico-cristã da qual somos produzid@s.

Minha proposta nesse texto é refletir sobre a necessidade de uma discussão que não coloque o corpo como ferramenta de opressão de gênero, mas como espaço de visibilidade de experiências que não são bem vistas pela cultura opressiva que vivemos. Mulheres! Falem de seus corpos, gritem os seus desejos, rearticulem as bases e os conhecimentos que existem sobre vocês. Assim, creio que as micropolíticas sexuais comecem a questionar ainda mais a valorização que há sobre o corpo do opressor (masculino) em detrimento do corpo oprimido (feminino). Sejamos políticas, façamos do absurdo o lugar de uma ação corrosiva e questionadora. Eis o que considero como potencialmente transformador e subversivo.

Vadias, lutem pelo fim da violência simbólica e material que está enraizada em nossa sociedade. E não se esqueçam de que: “Se o corpo é da mulher. Ela dá até para uma outra mulher” ou seja, devemos lutar por uma libertação que atenda a todas as formas de ser mulher. Devemos lutar pelo direito de ser vadia, de ser mãe, por novos feminismos.

*Jornalista, integrante do Coletivo Aquenda! de Diversidade Sexual da UFRB.

Banheirão: mexeu com uma, mexeu com o Aqüenda!

24 jun

Banheirões possuem marcas de sexualidades e gozos. São ambientes explorados em grandes centros comerciais, nos metrôs, estações rodoviárias, pontos certos nas nossas formações urbanóides, marcadamente onde há grande trânsito de pessoas. Fazem parte da formação de guetos sexuais, onde regras de ‘boa’ moral, laços consolidados, desejos subversivos, dão uma escapadinha. Homens com homens, mulheres com mulheres? Não há certeza nas possíveis respostas.

Os Banheirões andam, circulam e falam através de celulares, frases de desejos, negociações e proibições. É uma evidência que a prática sexual não pode ser totalmente regulada. Quando sofre sanções, se reorganiza em outros lugares. As pessoas querem, as pessoas fazem. As aqüendeiras, Anna Luisa e Janaína Miranda junto com a artista visual Aline Brune quiseram e fizeram. Incorporaram na exposição Mexeu com uma, mexeu com todas a instalação Banheirão.

“Quebrando o tradicionalismo que vem toda a carga histórica do museu-templo, essa exposição traz a proposta do museu-fórum, onde a obra não se limita ao que se vê e sim ao que se sente. Não se limita a fruição e sim na interação, onde o próprio visitante se torna parte do jogo expográfico. Inicie seu novo pecado no cabaré, e grite, extravase, e sinta a violência que é gerada nos tantos banheirões e paredões por aí à fora nesse nosso espaço. Veja a luta das Marcha das Vadias e os gritos de BASTA! proclamado por esses corpos, corpos que se entendem enquanto femininos, e que por tanto tempo sofreram e sofre repressão de todos os cantos, e de todos os modos.”